
Ismael Alves – Nos últimos meses, enquanto opositores venezuelanos e a comunidade internacional questionam a legitimidade das eleições presidenciais na Venezuela, que garantiram a permanência do mandatário Nicolás Maduro no poder, o Brasil manteve um tom cauteloso em suas declarações. Embora o governo brasileiro tenha expressado ceticismo sobre o processo, a abordagem inicial foi amena, talvez para não comprometer a relação entre o presidente Lula e Maduro, que até então mantinham uma aliança.
Entretanto, a deputada estadual pernambucana Rosa Amorim (PT) se destacou por adotar uma postura enfática em defesa de Maduro. Rosa afirmou que as eleições venezuelanas foram transparentes e democráticas, argumentando que a continuidade de Maduro era uma expressão legítima da vontade popular. Suas manifestações públicas em apoio ao mandatário venezuelano, incluindo vídeos em que o chama de “presidente”, surpreenderam e desapontaram uma parcela de seus próprios eleitores e simpatizantes da esquerda, que se opõem ao regime venezuelano.
Nas redes sociais, críticas à posição da parlamentar surgiram com frequência. Seus seguidores advertiram que a defesa incondicional de Maduro não condiz com os princípios democráticos que ela diz representar. Além disso, o apoio inabalável de Rosa Amorim foi colocado em questão diante dos relatos de irregularidades e repressão a opositores políticos na Venezuela, fatores que reforçam as suspeitas sobre a legitimidade das eleições.
Mesmo o presidente Lula, que inicialmente hesitou em condenar as eleições venezuelanas, acabou por não reconhecer formalmente o resultado que assegurou Maduro no poder. Embora o PT tenha endossado o documento do Fórum de São Paulo reconhecendo a vitória do venezuelano, Lula agora é visto como um “inimigo” pelo governo venezuelano. Órgãos oficiais da Venezuela passaram a atacar Lula e o Brasil nas redes sociais, utilizando tom ameaçador e desrespeitoso.
Diante de um cenário em que o Brasil poderia e deveria ser respeitado, inclusive por regimes autoritários como o de Maduro, Rosa Amorim se vê em uma posição delicada. Dividida entre Lula e Maduro, resta saber a quem a deputada pernambucana reverencia.










