
Ismael Alves – Lançando às vésperas das eleições municipais deste ano, o Festival “Pernambuco Meu País”, promovido pelo Governo do Estado sob a liderança da governadora Raquel Lyra (PSDB), lançou luz sobre uma dualidade notável: o Pernambuco que é exibido pela governadora e o Pernambuco vivido por seus habitantes. A comparação é inevitável, pois a distância entre o “Pernambuco Meu País” e o “Pernambuco Nosso Estado” parece crescer cada vez mais, em um contraste evidente entre a propaganda e a realidade.
Em um lado desse Pernambuco, o Governo destaca os avanços na segurança pública, celebrando um ambiente mais seguro para todos. Mas o “Pernambuco Nosso Estado” revela outra face: uma população que segue refém de índices de criminalidade altos, enquanto as polícias lutam por reconhecimento e policiais penais aprovados aguardam convocações que nunca chegam. Nas ruas e nas redes sociais, a insatisfação ganha espaço, expondo a desilusão daqueles que esperam ver promessas saindo do papel.
A saúde é outro campo onde a diferença entre os dois Pernambucos se torna palpável. No “Pernambuco Meu País”, hospitais públicos do Estado parecem atender de forma exemplar. Porém, no “Pernambuco Nosso Estado”, os corredores dessas unidades de saúde estão abarrotados de pacientes que aguardam cirurgias e atendimento adequado. Os enfermeiros, por sua vez, esperam o pagamento do piso salarial, promessa que também parece ter se perdido no caminho.
Essa mesma lógica se aplica às estradas. No “Pernambuco Meu País”, a malha viária é vendida como um “tapete”, digno de elogios em propagandas institucionais. Contudo, as melhorias são pontuais e contadas a dedo. O que os pernambucanos de fato enfrentam são estradas esburacadas, onde apenas algumas vias receberam manutenção, enquanto a maior parte, especialmente no interior, segue no abandono e até pior que do que antes, comprometendo a segurança de quem trafega pelo estado.
E na economia, o discurso governamental enxerga um cenário de crescimento e prosperidade. Mas a realidade do “Pernambuco Nosso Estado” mostra um ambiente econômico bem menos promissor, onde o custo de vida pesa, os impostos crescem e as oportunidades ainda são escassas para muitos.
Em 2026, quando a governadora Raquel Lyra disputar sua reeleição, o peso desses “dois Pernambucos” serão revelados. Será que o “Pernambuco Meu País” que ela apresenta será suficiente para sustentar sua popularidade nas urnas? Porque se a preferência dos eleitores do “Pernambuco Nosso Estado” predominar, o cenário pode trazer sua primeira derrota desde a primeira candidatura eletiva.










