Ismael Alves – Tem gente que vive na política e, quando conveniente, no mundo de Nárnia. Para quem não conhece, Nárnia é um mundo fictício que foi criado pelo escritor Irlandês Clive Staples Lewis como local narrativo para ‘As Crônicas de Nárnia’.
Voltando à realidade, abordo mais uma vez a fala vazada de Álvaro Porto, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), que ganhou notoriedade ao decorrer da semana por classificar o discurso da governadora Raquel Lyra (PSDB) de “merda”. Ele se referiu à fala da governadora durante a abertura dos trabalhos legislativos na Alepe.
O comentário feito ao ‘pé do ouvido’ de outro deputado foi tornado público de forma ‘acidental’. Ninguém sabia que havia naquele momento um microfone ligado. É aquele tipo de opinião que se compartilha com quem se tem confiança e confidencialidade.
Diante do momento inegavelmente desagradável, surgiu também uma tentativa evidente de distorção da realidade. A própria governadora chegou a ‘justificar’ a fala do deputado pelo fato de ser mulher atuando na política. A coisa não é bem por aí, e qualquer pessoa de bom senso, sem o filtro hipócrita do politicamente correto, pode entender que em momento algum o parlamentar se referiu a gênero.
O próprio Álvaro, reconhecendo o seu erro por meio de nota, admitiu que o comentário feito de forma particular – e vazado despretensiosamente – se referiu ao contraste entre o discurso de Raquel e a realidade vivenciada por Pernambuco. De fato, Pernambuco só está um paraíso no discurso de Raquel.
A palavra utilizada por Álvaro [merda] é grosseira, claro, até mesmo porque ninguém busca formalidade em conversas informais com amigos, principalmente quando para evidenciar reprovação diante de alguma coisa. Contudo, não trata-se de violência pelo fato de Raquel ser mulher.
Aliás, usar a palavra ‘merda’ como expressão de insulto, por mais desagradável que seja, é prática comum e universal. Segundo os historiadores, o hábito advém de Erde, localidade romana que era conhecida por ser muito suja.
Raquel, na tentativa clara de distorcer o erro de Álvaro e dar a entender que ele teceu um comentário machista, quis impor um ‘nada a ver’ onde, apesar do adjetivo inadequado, manifestou-se um indesejado ‘tudo a ver’.












