A temperança é uma das virtudes cardeais da Filosofia. Segundo Aristóteles, filósofo grego, para se viver com sabedoria, devemos perseguir além da temperança, a justiça, a prudência e a fortaleza. No fundo, o que o teórico em tela, quer nos dizer que devemos analisar bem nossas rotinas na sociedade e extirpar qualquer afinidade que se aproxime do vício, intemperança e bestialidade.
O século XXI é conhecido como a Era do Conhecimento, da informação, da busca de modo frenético por novos dados que remonte uma nova descoberta científica. Poderíamos entrar em outra seara, falaríamos sobre o falsificacionismo defendido pelo filósofo inglês Karl Popper, romperíamos alguns entraves acerca da postura epistemológica do arcabouço científico. Mas essa não é a proposta do momento.
Nos debrucemos em nossas confissões de vida para a necessidade da temperança diante de uma fragmentação social e política existente. No entanto, o que se percebeu nos últimos anos, foi uma rotina intempestiva e perigosa de grupos fundamentalista que se infiltram nos polos antagônicos da política nacional.
Arguiram-se de expressões que estavam mofadas em prateleiras distantes da nossa realidade: fascista e comunista. A proposta desse texto não é trazer o conceito sobre essas duas teorias, todavia, urge defender o máximo de cuidado na utilização das mesmas. Pois, exige-se um conhecimento anterior antes de usá-las, sob pena de desabilitar uma interpretação adequada.
A política é uma forma que a sociedade encontrou de se envolver com temas complexos e exige um aperfeiçoamento de ideias. O alemão e economista Max Weber, um dos fundadores da Sociologia, nos apresentava uma maneira de buscarmos um entendimento sobre algo e assim alterararmos uma conjuntura. Me atrevo a complementá-lo, dizendo que: se queres alterar uma rotina governamental, aprimore suas ideias e as coloque na esteira das discussões de modo temperante.
Infelizmente assistimos, lemos, ouvimos; pessoas partindo para o enfrentamento pessoal, numa contradição a qualquer racionalidade. É impressionante como numa sociedade do conhecimento, cidadãos partem para uma agressão gratuita, de cunho pessoal, numa tentativa leviana, que ofende o caráter, sem, contudo, oferecer condições minimamente conceituais para pleitear uma alteração de pensamento.
A democracia só é exercitada se houver campos assimétricos. Isso é natural e inconteste. O respeito é um dos predicados relevantes nesse aspecto. Se assim não existir, não há como se estruturar uma linha de raciocínio e partimos para um vício que Aristóteles chama de bestialidade.
Exercitemos nosso papel de cidadão e cidadã. Continuemos a contribuir para o aperfeiçoamento da nossa República e vamos entender que o melhor caminho para chegarmos a plenitude do aprimoramento social, é fugir de qualquer extremo do espectro político. Ser temperante é fundamental para vivermos em sociedade.
Márcio Bezerra – professor especialista em Ensino de História do Brasil e servidor público.













