Ismael Alves – O cenário do 2° turno das eleições 2022, em Pernambuco, não oferece dúvidas na leitura. Nunca foi tão fácil compreender o sentimento majoritário da população frente a um período eleitoral. Assim como no 1° turno, quando não havia dúvidas quanto a liderança de Marília Arraes (SD), o 2° não deixa qualquer margem de incerteza sobre o comando explícito de Raquel Lyra (PSDB).
A tucana, que foi duas vezes prefeita de Caruaru, vê sua campanha receber adesões de todos os lados. Marília também tem recebido apoios, mas em menor intensidade e, principalmente, de quadros que estiveram diretamente atrelados ao governo de Paulo Câmara (PSB), que teve Danilo Cabral (PSB) como candidato da Frente Popular derrotado no 1° turno. Foi a queda de um império de 16 anos.
O preço de absorver protagonistas da rejeitada gestão Paulo Câmara, líder absoluto em reprovação e cobrança de impostos, fez com que a campanha de Marília ganhasse ares de ‘mais do mesmo’. Além dos novos apoiadores da Frente Popular, incluindo o apoio formal do próprio PSB, Marília tem na chapa, como candidato a vice, o ex-secretário de Transportes de Paulo Câmara, Sebastião Oliveira. No 1° turno, André de Paula, ex-secretário das cidades, também no governo Paulo Câmara, foi candidato ao Senado na chapa de Marília. O PT-PE, que protagonizou brigas e desgastes com Marília, também se aliou à ex-petista.
A essa altura do campeonato, onde os acordos políticos se formam em torno de cargos e composições, unicamente, as alianças seladas entre Marília e a Frente Popular, inimigos ferrenhos até o 1° turno, nos dão uma única certeza: um eventual governo da ex-petista só deixaria de ter a cor amarela como identidade do governo.
Além disso, o fato de ter evitado participar dos debates eleitorais no 1° turno, induziu o eleitorado a idealizar a imagem de uma figura política que não tem coragem de encarar desafios. A soma desses fatores, entre outros, como um currículo robusto da concorrente, tem feito a possibilidade de vitória de Marília escorrer por entre os dedos. Contudo, a política é dinâmica e o jogo só acaba na apuração dos votos.












