Ismael Alves – Em 2018, Marília Arraes ensaiou uma candidatura ao governo de Pernambuco pelo PT, à época. Ela sabia que não teria legenda para a disputa, mas insistiu até o último minuto. Por fim, depois de ter causado tumulto e divisão no partido, lançou-se candidata à deputada federal e foi eleita, mas a discórdia já estava criada.
Em 2020, disputou a prefeitura do Recife contra João Campos (PSB), seu então adversário. O clima de contenda criado em 2018, voltou a ferver no seio do PT estadual. A sigla foi dividida entre uma ala pró-Marília e outra pró-Humberto. Marília perdeu as eleições no 2° turno e já se lançou, de imediato, candidata ao governo de Pernambuco.
Passados dois anos, Marília teve a oportunidade de ser candidata ao Senado pelo PT. Ela seria o nome apoiado para o cargo na Frente Popular. Teresa Leitão (PT) seria candidata ao cargo de deputada federal e Luciana Santos (PCdoB) seria novamente candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Danilo Cabral (PSB), mas com uma diferença: a esqueda pernambucana estaria unida e, consequentemente, mais forte.
A configuração poderia resultar na vitória de Danilo no 1° turno. Marília seria eleita Senadora, Teresa alcançaria êxito na busca por uma vaga na Câmara e Luciana continuaria vice-governadora por mais um mandato. Por mais que Paulo Câmara (PSB) tenha grande rejeição, a união da esquerda poderia ter resultado na continuidade de um governo que já se estende por 16 anos.
Contudo, Marília chutou o pau da barraca e decidiu que sairia do PT para disputar o governo do estado. Sua saída da sigla foi conturbada, gerou inimizades e atirou para todos os lados. Após o lançamento da sua candidatura pelo Solidariedade, ela chegou a liderar as intenções de voto durante o 1° turno, mas não teve fôlego para manter a posição. Tão logo teve início o 2° turno, Marília perdeu a dianteira para Raquel Lyra (PSDB), favorita com larga vantagem nas pesquisas.
Às vésperas do dia 30 de outubro, Marília viu sua campanha definhar ao longo de todo o 2° turno. Ela se uniu aos ex-aliados que tanto os atacou, assim como pratagonistas do PT e PSB. Ela também tentou reproduzir o cenário nacional no estado, mas não conseguiu. Assombrada pelo fantasma de uma iminente 2ª derrota eleitoral consecutiva, Marília Arraes, que ficará sem mandato, vê que adotou uma jogada política kamikaze. Ela contribuiu diretamente para a queda da Frente Popular e para a sua própria queda.













