
Ismael Alves – A repetição da dobradinha entre o vereador Rafael Prequé e Joaquim Lira nas eleições de 2026 foi uma aposta para fortalecer a votação do deputado estadual em Gravatá. A estratégia já havia sido colocada em prática em 2014, quando Rafael disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e Joaquim concorreu pela primeira vez à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Doze anos depois, porém, os números mostram que a parceria não alcançou o mesmo resultado no município.
Na primeira experiência conjunta, em 2014, Rafael Prequé recebeu 9.090 votos em todo Pernambuco, dos quais 7.400 foram em Gravatá. Joaquim Lira, por sua vez, recebeu 3.291 votos no município e conquistou o primeiro mandato de deputado estadual, com 67.584 votos em todo o estado.
Naquele ano, a votação de Joaquim em Gravatá correspondia a 44,5% do total obtido por Rafael no município. Essa proporção ajuda a entender o tamanho da diferença entre os dois resultados ao longo dos anos.
Joaquim Lira perdeu votos em Gravatá nas eleições seguintes
Em 2018, Joaquim Lira conquistou a reeleição para a Alepe, com 56.336 votos em Pernambuco. Em Gravatá, entretanto, recebeu 1.733 votos, 1.558 a menos que em 2014, uma redução de 47,3%. Naquele pleito, Rafael Prequé não foi candidato, mas manteve o apoio ao deputado estadual.
Quatro anos depois, em 2022, a votação de Joaquim no município caiu novamente, chegando a 666 votos. A diferença em relação a 2018 foi de 1.067 votos, ou 61,6%. Na comparação com 2014, a perda chegou a 2.625 votos, uma redução de 79,8%.
Mesmo com a queda em Gravatá, Joaquim conseguiu renovar o mandato estadual nas duas eleições. Em 2022, recebeu 48.293 votos em Pernambuco.
Na disputa deste ano, a dobradinha voltou a ser utilizada como estratégia para ampliar os votos do deputado estadual no município. Joaquim conquistou o quarto mandato, com 50.770 votos em todo o estado, mas sua votação em Gravatá não apresentou progresso considerável.
Foram 722 votos no município, apenas 56 a mais que em 2022, um crescimento de 8,4%. Apesar da melhora em relação à eleição anterior, o resultado ficou 2.569 votos abaixo do registrado em 2014, uma redução de 78,1%. Em comparação com 2018, Joaquim também teve 1.011 votos a menos em Gravatá, queda de 58,3%.
Rafael foi o mais votado para deputado federal em Gravatá
Rafael Prequé voltou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e obteve 6.430 votos em Pernambuco, sendo 5.623 em Gravatá. O vereador foi o candidato a deputado federal mais votado no município.
Em 2014, Rafael havia recebido 7.400 votos em Gravatá e 9.090 em todo o estado. Na comparação entre as duas eleições, perdeu 1.777 votos no município, uma redução de 24%. No resultado estadual, foram 2.660 votos a menos, queda de 29,3%.
O contraste entre as votações dos dois parceiros também aparece quando os resultados municipais são colocados lado a lado. Em 2014, Joaquim recebeu o equivalente a 44,5% da votação de Rafael em Gravatá. Em 2026, os 722 votos do deputado estadual representaram apenas 12,8% dos 5.623 recebidos pelo vereador.
Em termos simples, a cada 100 votos recebidos por Rafael em Gravatá, Joaquim teve aproximadamente 45 em 2014. Neste ano, foram cerca de 13. A proporção entre as duas votações caiu 71,1% em relação à primeira experiência conjunta.
Outro dado ajuda a dimensionar o resultado mais recente. Joaquim teve 56 votos a mais em Gravatá do que em 2022. Se essa diferença for comparada aos 5.623 votos recebidos por Rafael no município em 2026, ela equivale a aproximadamente 1% da votação do vereador.
O que os números permitem afirmar é que a repetição da dobradinha não reproduziu em Gravatá a mesma relação entre as votações de 2014. Rafael alcançou resultado expressivo no município para a disputa federal, mas sem transferência de votos para Joaquim, embora tenha sido eleito novamente.
A dobradinha voltou às urnas, mas o resultado municipal mostra que o desempenho de Rafael na disputa federal não se refletiu, na mesma proporção, na votação de Joaquim para deputado estadual.










