
Ismael Alves – Passado o primeiro turno das Eleições 2026, os resultados das urnas começam a revelar como ficaram as forças políticas de Gravatá. Entre os dados que chamam a atenção está o desempenho do grupo do ex-prefeito Joaquim Neto, que, após disputar pessoalmente uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em 2022, voltou a apostar em uma candidatura aliada neste ano, mas obteve um resultado bastante inferior no município.
Em 2022, Joaquim Neto recebeu 5.823 votos em Gravatá quando concorreu a deputado estadual pelo PSDB. Foi o segundo mais votado na cidade, atrás apenas de Waldemar Borges, que somou 14.141 votos.
Quatro anos depois, o ex-prefeito apoiou Bruno Marques (PSB) para deputado estadual. Embora eleito para a Alepe, o candidato recebeu apenas 863 votos em Gravatá. Em números absolutos, são 4.960 votos a menos do que Joaquim havia conquistado pessoalmente no município em 2022. A votação de Bruno corresponde a aproximadamente 14,8% daquela alcançada pelo ex-prefeito quatro anos antes.
A comparação envolve candidaturas diferentes, mas mostra o desafio de Joaquim para transformar sua influência política e suas alianças em votos no município onde governou por três períodos, considerando o mandato iniciado como vice-prefeito e os dois mandatos integrais.
Viviane Facundes amplia contraste e Lucas Ramos também perde votos
Outro número expressivo das eleições de 2026 em Gravatá foi o desempenho de Viviane Facundes (PSD). Em sua primeira eleição disputada a candidata recebeu 6.049 votos no município, tornando-se a mais votada para para o cargo em Gravatá. Em todo Pernambuco, somou 7.996 votos e terminou na condição de suplente.
A votação de Viviane em Gravatá foi aproximadamente sete vezes maior que a de Bruno Marques, aliado de Joaquim Neto. A diferença entre os dois candidatos no município chegou a 5.186 votos.
O resultado ganha relevância no contexto da disputa política municipal. Viviane integra o grupo ligado ao prefeito Padre Joselito Gomes, principal adversário de Joaquim Neto nas últimas eleições municipais. Apesar de não ter conquistado uma cadeira na Assembleia Legislativa, ela terminou o primeiro turno na liderança da votação para deputada estadual em Gravatá.
Na disputa para deputado federal, os números também apontam uma redução na votação de Lucas Ramos (PSB), apoiado por Joaquim Neto nas duas últimas eleições gerais. Em 2022, Lucas foi eleito deputado federal e recebeu 1.940 votos em Gravatá. Neste ano, a votação no município caiu para 1.245, uma redução de 695 votos, aproximadamente 35,8%. Ele não foi eleito.
Da Prefeitura às eleições de 2026: a trajetória de Joaquim Neto
Joaquim Neto construiu uma longa trajetória na política de Gravatá. Ele chegou à Prefeitura como vice-prefeito de Sebastião Martiniano Lins e assumiu o comando municipal em 2002, após a morte do então prefeito. Em 2004, venceu a eleição e passou a exercer seu primeiro mandato integral, entre 2005 e 2008.
Na disputa municipal de 2008, apoiou Ozano Brito como sucessor, e o candidato venceu a eleição. A parceria política, entretanto, se rompeu posteriormente. Em 2012, Joaquim voltou a disputar a Prefeitura, mas perdeu para Bruno Martiniano.
A gestão de Bruno Martiniano foi interrompida em novembro de 2015, com o início da intervenção estadual, conduzida pelo então coronel Mário Cavalcanti. O interventor permaneceu à frente da administração municipal até o fim de 2016.
Joaquim Neto voltou ao comando da Prefeitura após vencer as eleições de 2016, administrando Gravatá entre 2017 e 2020. Naquele último ano, porém, perdeu a disputa pela reeleição para Padre Joselito Gomes, que assumiu o município em janeiro de 2021 e voltou a vencer a eleição municipal em 2024, tornando-se o primeiro prefeito reeleito no município.
Em 2022, Joaquim tentou uma vaga na Alepe, sem sucesso. Em 2024, voltou a disputar a Prefeitura de Gravatá, mas foi derrotado novamente por Joselito, encerrando mais uma tentativa de retornar ao comando do Executivo municipal.
Neste ano, mesmo sem disputar um cargo eletivo, Joaquim voltou a atuar diretamente no debate político gravataense. O ex-prefeito aderiu ao projeto político de João Campos e anunciou apoio a Bruno Marques para deputado estadual e a Lucas Ramos para deputado federal.
A campanha também foi marcada por críticas à administração municipal, inclusive em publicações nas redes sociais. Durante o período eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinou a remoção de vídeos publicados por Joaquim Neto com acusações contra Viviane Facundes. As decisões trataram de conteúdos específicos, nos quais foram questionadas afirmações sobre a candidata e o funcionamento do Hospital Municipal Dr. Paulo da Veiga Pessoa.
O resultado das urnas acrescenta um novo capítulo a essa disputa. De um lado, Joaquim Neto, que recebeu 5.823 votos em Gravatá quando candidato a deputado estadual em 2022, apoiou neste ano um candidato eleito que obteve 863 votos na cidade. De outro, Viviane Facundes alcançou 6.049 votos no município e 7.996 em Pernambuco, consolidando-se como a mais votada para deputada estadual em Gravatá.
Os números não representam, isoladamente, toda a força política de Joaquim Neto, mas impõem um desafio ao ex-prefeito: demonstrar a capacidade de mobilização de seu grupo e de converter alianças em votos. Ao mesmo tempo, a votação de Viviane estabelece uma nova referência para a disputa política local.












