
Ismael Alves – O segundo inquérito concluído pela Polícia Federal sobre desvios de aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) resultou no reindiciamento do ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, e no indiciamento do ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras. O avanço das investigações respinga no cenário político de Pernambuco, já que Aristides é irmão do deputado federal Carlos Veras (PT-PE), presidente estadual da sigla e candidato à reeleição.
Segundo a Polícia Federal, os investigados foram indiciados pelos crimes de organização criminosa e inserção de dados falsos em sistemas de informática, com pena prevista de dois a doze anos de reclusão. A apuração apontou que a manipulação dos dados permitiu a realização de descontos indevidos em aposentadorias e o direcionamento irregular desses recursos. A Contag, entidade ligada aos trabalhadores rurais e próxima ao PT, arrecadou cerca de R$ 3,4 bilhões em mensalidades associativas entre 2016 e 2025.
Além de Aristides Veras, o relatório da Operação Sem Desconto indiciou ex-diretores do INSS, como André Fidelis e Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho, e ex-integrantes da diretoria da Contag, incluindo Edjane Rodrigues e Thaísa Daiane. O caso segue agora para análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que deve encaminhar o parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar a apresentação de denúncia formal.
Desdobramentos políticos e o acirramento da crise interna no PT de Pernambuco
O indiciamento de Aristides Veras atinge de forma indireta e em momento delicado a pré-campanha de Carlos Veras. Presidente do PT em Pernambuco, o parlamentar já enfrenta desgastes internos em razão de um racha na legenda, que não consegue alcançar unidade no apoio à candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao Governo do Estado nas eleições de 2026.
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A condução da sigla no estado tem sido alvo de questionamentos por conta de mudanças de posicionamento. No início do ano, o próprio Carlos Veras colaborou para o clima de incerteza ao adotar uma postura flexível, sinalizando que os filiados que não seguissem a orientação partidária não sofreriam sanções. Pouco tempo depois, contudo, o deputado mudou o tom e endureceu a cobrança, ameaçando negar legenda nas eleições de 2028 aos quadros que descumprirem a aliança oficial com a candidatura de João Campos.













