
Ismael Alves – O clima político em Pernambuco subiu de tom com uma decisão vinda de Brasília. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal entre oficialmente no caso que investiga se a Polícia Civil do Estado foi usada para monitorar e perseguir adversários políticos da governadora Raquel Lyra. A suspeita é de que uma estrutura paralela de inteligência estaria rastreando carros e seguindo servidores ligados à gestão do prefeito João Campos, sem qualquer autorização da justiça.
Essa intervenção do STF acontece em um momento crítico, já que a lei proíbe o uso da máquina pública para fins eleitorais. Para o ministro, há indícios graves de que tecnologias invasivas, como reconhecimento facial e rastreamento veicular, foram usadas fora das regras. Agora, a Polícia Federal terá a missão de descobrir se essa “polícia paralela” realmente existiu e, principalmente, quem deu as ordens para essas ações clandestinas.
Decisão do STF aponta indícios de estrutura paralela e amplia crise entre João Campos e Raquel Lyra
João Campos, que é o principal opositor político da governadora, tem usado suas redes sociais para subir a temperatura do debate. O prefeito classificou as ações como “criminosas” e afirmou que a chegada da Polícia Federal é o caminho para que se faça justiça. Campos foca sua crítica na ideia de que servidores e veículos da Prefeitura do Recife foram alvo de espionagem, exigindo saber a quem interessava esse tipo de monitoramento em pleno ano de disputa política.
Por outro lado, a governadora Raquel Lyra tenta blindar sua gestão e afastar a imagem de perseguição política. Em pronunciamentos recentes, ela garantiu que a Polícia Civil tem autonomia e não serve a interesses de governantes. Raquel defende que todas as denúncias sejam apuradas com rigor, mas reforça que Pernambuco “precisa de governo e não de barulho”. A estratégia da governadora é tratar o episódio como um procedimento padrão de investigação, tentando diminuir o impacto político do caso que já dura uma semana.
O desfecho dessa investigação da Polícia Federal será o fiel da balança para os próximos meses. Se as provas confirmarem que houve uso da polícia para fins políticos, o governo estadual enfrentará um desgaste administrativo sem precedentes. Se nada for provado, a narrativa de João Campos poderá ser lida como antecipação do embate eleitoral. O que é certo, no momento, é que a rivalidade entre os dois líderes nunca foi tão exposta e judicializada.













