
Fala machista durante Congresso em João Pessoa-PB me levou a reagir em defesa de vereadoras primaverenses
Ismael Alves – A violência contra a mulher acontece em qualquer lugar e de muitas formas. No mês de outubro, durante um Congresso voltado à capacitação de legislativos municipais e agentes públicos, em João Pessoa, na Paraíba, presenciei uma situação que me obrigou a me posicionar imediatamente.
Era o primeiro dia do evento, no período da tarde, e o auditório do hotel registrava um bom número de pessoas. Um advogado apresentava um conteúdo importante sobre gestão pública, daqueles que fazem o público realmente prestar atenção. O silêncio era sinal de interesse, mas o organizador do evento parecia achar que faltava animação. Ele interrompeu a fala do palestrante para tentar levantar o público.
Pegou o microfone, registrou algumas Câmaras presentes e começou a incentivar uma participação mais agitada. Em um desses momentos, citou os vereadores de Primavera, na Mata Sul de Pernambuco, e pediu que todos fossem até a frente do auditório. Aproximadamente nove vereadores do município estavam lá, incluindo três mulheres que fazem parte do Legislativo primaverense.
LEIA TAMBÉM: Enquete: Como você avalia o primeiro ano de gestão do prefeito Araújo em Amaraji?
Tentando fazer uma brincadeira, o organizador acabou falando algo totalmente inadequado. Ele mencionou o Rio Ipojuca, que corta o município e forma a Cachoeira do Urubu, e disse que a água do rio “não dava para apagar o fogo daquelas três mulheres”, se referindo às vereadoras. A plateia reagiu com surpresa, risos desconfortáveis e um clima de constrangimento.
Eu acompanhava o evento lá do fundo e, na hora, entendi que aquela fala precisava ser respondida. Fui até a segunda fileira, onde encontrei uma cadeira disponível, sentei, sinalizei que queria falar e recebi o microfone.
Fiquei de pé e disse, em tom sutil, que meu objetivo não era constranger ninguém, mas destacar que mulheres merecem respeito sempre, até quando o contexto parece brincadeira. Falei que o único fogo de mulher que deve ser lembrado é o libertário, da força e da coragem, como o das mulheres de Tejucupapo, em Goiana, que expulsaram invasores holandeses. Lembrei que aquelas mulheres de Primavera, região canavieira, precisaram superar muitos desafios para chegarem até aquele Congresso como vereadoras.
Agradeci o espaço e fui aplaudido pelo público, que se sentiu representado naquela fala. O organizador, percebendo o erro, fez o que era certo e se retratou publicamente, afirmando que não teve intenção de ofender e destacou a importância das mulheres.
Falei naquele momento por entender que nós, homens, temos responsabilidade direta na construção de uma sociedade melhor e mais segura todos, especialmente para nossas filhas, irmãs, mães, tias, primas, avós e amigas. Nossas mulheres.













