Ismael Alves – O carnaval 2024 vai se despedindo, mas algumas situações decorrentes da festa momesca devem permanecer por alguns dias no centro do debate popular, seja no crivo da aprovação ou reprovação.
Nessa gama entra o descolorimento do cabelo do prefeito João Campos (PSB), do Recife, que atingiu repercussão nacional e fez surgir discípulos diversos no segmento político, que logo buscaram alcançar visibilidade seguindo o mesmo caminho.
É óbvio que a repercussão, no caso de João, não foi simplesmente por ter “nevado” o cabelo, termo popularmente adotado para se referir à tonalidade branca ou amarelada resultante da descoloração, mas sim pelo fato de quem adotou o estilo.
João herdou o expressivo capital político do pai, o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014. No ano de 2018, ele foi eleito o deputado federal mais votado da história de Pernambuco, superando a marca dos 460 mil votos.
Antes dele, o mesmo título foi conquistado pela avó, Ana Arraes, que obteve 387 mil votos em 2010, e também pelo bisavô, o ex-governador Miguel Arraes, eleito para o mesmo cargo no ano de 1990 com 340 mil votos. Além desses fatores, João é prefeito de uma capital e sua orientação de marketing busca explorar e enaltecer costumes locais, a exemplo das danças do estilo musical brega funk, bem como a adoção de um perfil mais coloquial e menos formal.
Já em Jaboatão, município vizinho do Recife, não teve o “nevado” nos poucos cabelos do prefeito Mano Medeiros, mas a apelação na busca pela identidade com o povão marcou presença, mesmo que sem o efeito viral. O gestor usou tinta verde no cabelo e adotou o estilo típico das comunidades, com direito a óculos similar ao modelo Juliet e corrente prateada grossa no pescoço.












