
Ismael Alves – A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, tem surpreendido ao adotar uma postura cada vez mais distinta daquela que a consolidou como uma das principais vozes da oposição no estado. Quando deputada estadual, Priscila era conhecida por seu discurso incisivo contra o governo do PSB e seus aliados, a exemplo do PT, em Recife, apontando falhas com uma convicção que a destacou no cenário político pernambucano. Contudo, a passagem para o Executivo, ao lado de Raquel Lyra (PSDB), marcou uma mudança radical, que vai além da adaptação às responsabilidades do cargo: Priscila não só suavizou sua postura, mas também começou a elogiar antigos adversários.
Priscila agora alinha-se a um discurso que agrada a setores como o PT, grupo político ao qual sempre se opôs. O exemplo mais emblemático desse novo comportamento foi seu elogio público ao deputado estadual João Paulo (PT), ex-prefeito do Recife, algo que seria impensável há pouco tempo. Durante um evento o anúncio do fim do rodízio do abastecimento de água em Brasília Teimosa e parte do Pina, Priscila surpreendeu ao reconhecer a atuação de João Paulo em áreas carentes do Recife, em contraste com suas críticas passadas. Até o próprio João Paulo ficou surpreso, destacou a jornalista Betânia Santana, da Folha Política.
Essa mudança de postura reflete uma estratégia política: a gestão de Raquel Lyra e Priscila Krause busca estreitar a aproximação com o presidente Lula (PT). Priscila, que antes representava a firmeza oposicionista, agora adota uma política de alianças que envolve antigos desafetos, indicando um pragmatismo que beira o oportunismo.
Enquanto Priscila enterra sua trajetória, ao tempo em que tenta se reposicionar no tabuleiro político, o eleitor que a conheceu como oposição rigorosa se pergunta: seria essa uma mudança necessária para se manter relevante ou um abandono dos princípios que antes a diferenciavam? Afinal, ao ‘lavar as mãos’ da sua trajetória, o que mais fica para trás além das críticas?










