
Ismael Alves – Não há nada mais comum no ambiente político – quando em um sistema democrático – que a união de quadros que pensam diferente ou que defenderam ideias distintas em algum momento, mas que encontraram pontos de convergência e decidiram fazer uma caminhada conjunta.
Isso geralmente ocorre quando há conveniência para ambas as partes e não há crime algum nisso, além de representar até um nível elevado de maturidade. Contudo, vale salientar que tal situação não se torna moralmente indigesta somente quando a divergência é praticada apenas no campo das ideias, digamos assim.
Em Recife, capital pernambucana, temos um exemplo claro da união de diferentes quadros. Trata-se dos primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (Avante), prefeito e ex-deputada federal, respectivamente. Hoje, Marília é cabo eleitoral do primo, mas há quatro anos o clima entre os dois era bem hostil.
Marília e João disputaram o segundo turno das eleições 2020. Marília, na época candidata pelo PT, protagonizou duros embates contra o socialista. Era ‘bateu, levou’. E cada qual ‘dançava conforme a música’ que o outro quisesse tocar.
Em dado momento, durante debate promovido pela TV Clube/Record, João perguntou a Marília porque sua gestão “foi ineficiente” quando assumiu o controle da secretaria Municipal de Juventude e Qualificação do Recife na administração de Geraldo Júlio. Marília, por sua vez, alegou que a secretaria inicialmente não dispunha de orçamento e que aquela experiência foi decisiva para a sua saída do grupo do PSB. “… Foi nesse momento que eu vi que o grupo do PSB não me cabia…” Marília ainda disse que “todo mundo sabe que o PSB tem duas caras. Uma hora está de um lado, uma hora está esculhambando o PT como você está fazendo agora, outra hora tá tudo muito bem…”
Marília fez questão de relembrar a memória do ex-governador Eduardo Campos e sua relação com Lula, contrapondo ao fato de João Campos naquele momento ser adversário e crítico ao PT. “O presidente Lula tratava seu [ Eduardo Campos] pai como um filho, vivia na sua casa. Toda vez que vinha aqui [Recife] era bem recebido. E hoje, tá aí cheio de ‘lambe-lambe’ nas ruas esculhambando [Lula]. Não é assim que se faz política. Não vale tudo para se chegar ao poder”, concluiu.
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