
Ismael Alves – O cantor Netinho, um dos nomes populares do axé music brasileiro, morreu na manhã desta terça-feira (13 de outubro), aos 60 anos. Conhecido nacionalmente por sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer que atinge o sistema linfático. Segundo informações divulgadas sobre o falecimento, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A morte foi comunicada pela equipe do cantor nas redes sociais oficiais. Netinho estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, na Bahia, desde o fim de setembro, quando voltou a ser hospitalizado para tratar a recidiva do câncer. Até o momento, não foram detalhados publicamente outros aspectos das circunstâncias da morte.
Trajetória de Netinho na música brasileira
Batizado como Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Ainda jovem, começou a desenvolver seu interesse pela música e aprendeu a tocar violão. Antes de seguir definitivamente a carreira artística, chegou a cursar Engenharia Civil, mas decidiu investir no trabalho como cantor.
Sua projeção nacional começou no final da década de 1980, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Com o grupo, destacou-se com “Beijo na Boca”, canção que ganhou espaço nas rádios e ajudou a ampliar o alcance da música baiana pelo país.
Em 1993, iniciou a carreira solo com o álbum “Um Beijo pra Você”. O trabalho trouxe músicas como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”, que contribuíram para consolidar seu nome na cena musical brasileira.
O auge de sua popularidade chegou em 1996, com o lançamento de “Netinho ao Vivo”. O álbum apresentou “Milla”, um dos maiores sucessos de sua trajetória. A música alcançou enorme repercussão, tornou-se presença frequente em carnavais, micaretas e festas populares e ajudou a transformar o cantor em um dos artistas mais reconhecidos do axé music.
Ao longo dos anos seguintes, Netinho lançou novos discos e continuou se apresentando no Brasil e no exterior. Sua carreira também passou por períodos de afastamento dos palcos, seguidos por projetos de retorno e retomada da agenda musical.
Do AVC ao diagnóstico de câncer: os problemas de saúde
A trajetória do cantor também foi marcada por graves problemas de saúde. Em 2013, Netinho foi internado inicialmente em Salvador e depois transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde permaneceu por cerca de seis meses. Nesse período, sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e passou por três cirurgias no cérebro em um intervalo de sete dias.
As complicações afetaram seus movimentos, sua voz e a memória recente. Depois da alta, o artista precisou enfrentar um longo processo de reabilitação, com acompanhamento médico, fisioterapia e fonoaudiologia. A recuperação o afastou das atividades profissionais por um período, mas ele voltou gradualmente aos palcos e retomou projetos musicais.
Em fevereiro de 2025, Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B, descrito como agressivo. O cantor cancelou apresentações previstas para o Carnaval daquele ano e iniciou o tratamento com quimioterapia no Hospital Aliança Star, em Salvador.
Durante o tratamento, compartilhou atualizações sobre sua rotina e os resultados dos exames com os fãs. Após uma resposta inicial favorável à quimioterapia, concluiu aquela etapa do tratamento e retomou as atividades artísticas em 2025.
A doença, porém, voltou a se manifestar em 2026. Em maio, o cantor informou que enfrentava a recidiva do linfoma e precisou retomar a quimioterapia. No fim de setembro, foi internado novamente em Salvador e anunciou que se afastaria temporariamente das redes sociais para se dedicar ao tratamento.
Netinho morreu aos 60 anos, deixando uma trajetória ligada à expansão nacional do axé music e músicas que atravessaram gerações. Sua interpretação de “Milla” e o sucesso de “Beijo na Boca” permanecem entre as marcas mais conhecidas de sua carreira.
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