
O episódio que marcou a formatura no Colégio Madre de Deus
Ismael Alves – A cena registrada durante a formatura da turma do 3º ano, realizada no Classic Hall, em Olinda, pelo Colégio Madre de Deus, do Recife, na última sexta-feira (12), precisa ser tratada com a seriedade que o caso exige. Um casal interrompeu a apresentação de um DJ que executava uma música com clara apologia ao estupro coletivo, recheada de xingamentos e de ameaças explícitas contra mulheres, incluindo a menção a jogar uma mulher de um helicóptero caso ela se recusasse a fazer sexo com determinados indivíduos.
A atitude foi necessária. E foi correta.
Vivemos um tempo em que mulheres são agredidas e assassinadas em ritmo alarmante, especialmente em Pernambuco, onde os casos de violência contra a mulher e de feminicídio se acumulam dia após dia. Diante desse cenário, naturalizar esse tipo de conteúdo em um ambiente com presença de menores de idade é mais do que irresponsabilidade. É cumplicidade.
Quem quiser discordar, que o faça. Mas a mulher que teve coragem de se posicionar, denunciar a apologia à prostituição, questionar a execução desse tipo de música em um evento escolar e lembrar que estava acompanhada de sua filha menor merece respeito. O mesmo vale para o marido, que esteve ao seu lado durante todo o episódio.
Isso é combater a violência contra a mulher na prática. Todo o resto é convivência passiva e discurso politicamente correto, vazio e confortável.
A pergunta que fica é simples e direta: o que você faria para defender a honra da sua filha? Ou devemos aceitar a ideia de que estamos criando meninas para serem tratadas como objetos ou presas sexuais?
Se dependesse de mim, esse casal receberia homenagens formais da Assembleia Legislativa de Pernambuco e do Governo do Estado. Infelizmente, boa parte dos representantes da população parece estar dormente diante de situações que exigem posicionamento claro, coragem e responsabilidade.
Silenciar, nesse caso, não é neutralidade. É conivência.
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