Ismael Alves – É de dentro do histórico e requintado Palácio do Campo das Princesas, no Bairro de Santo Antônio, região central do Recife, que a governadora Raquel Lyra (PSDB) acompanha tudo o que acontece do lado de fora das impornentes paredes que têm atravessado o tempo e as gerações.
A calmaria reina por entre os cômodos da edificação datada de 1841, fruto da gestão do então governador Francisco do Rêgo Barros, onde até os dias de hoje funciona como sede do Poder Executivo Estadual.
De lá, a governadora tem acesso aos dados da administração pública estadual em todos os setores. Tudo chega em suas mãos através de números, inclusive da segurança pública, segmento que tem protagonizado uma crise sem precedentes em Pernambuco. O caso fica ainda mais delicado com a greve deflagrada pela Polícia Civil, programada para começar à meia-noite da próxima sexta-feira (9), em pleno carnaval.
A insatisfação com o governo não é um caso isolado da Polícia Civil, mas um sentimento enraizado – e com razão – em todos os outros braços da segurança pública estadual. A Polícia Penal, por exemplo, conta com apenas 1800 policiais para lidar com uma população carcerária de 30 mil presos. Enquanto isso, mais de 900 policiais penais formados estão a ver navios, querendo assumir os seus postos mas a governadora resiste em convocá-los. A Polícia Militar, por sua vez, tem cerca de 1800 policiais remanejados para tapar o buraco da deficiência no sistema prisional.
Enquanto a Polícia Civil faz greve em busca de valorização e melhores condições de trabalho nas delegacias, a Polícia Militar é usada para tapar buraco em meio a toda falta de estrutura e adversidade. Os quase mil policiais penais formados aguardam na geladeira do governo, e Raquel Lyra, inerte, permanece indiferente no conforto do Palácio.












