Ismael Alves – As mulheres estão cada vez mais conquistando espaço em todos os setores da sociedade brasileira, inclusive na política. Mas a misoginia ainda é um desafio diário a ser enfrentado por elas.
Foi assim com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), por inúmeras vezes menosprezada por pertencer ao gênero feminino ao invés de ser avaliada pelas ações do seu governo. A mesma realidade é vivenciada por milhões de mulheres em todo o território nacional, seja no meio político ou em qualquer outro.
Em Pernambuco, Estado que passou a ser governado pela primeira mulher eleita ao cargo, Raquel Lyra (PSDB), tendo também como vice-governadora uma mulher, a ex-deputada estadual Priscila Krause (PSDB), por sinal o único estado brasileiro a ser comandado por duas mulheres, a realidade não tem sido diferente e a explicação é apenas: misoginia e preconceito, além de uma torcida que vibra pelo “quanto pior, melhor”.
Pessoas públicas, principalmente na política, estão sujeitas ao crivo do julgamento popular e isso é extremamente normal. Contudo, o que se além das críticas democráticas, necessárias e sérias é um movimento explícito na tentativa de desqualificar um governo que sequer iniciou. Numa espécie de “vale tudo contra elas”, qualquer ato administrativo – por comum que seja – é motivo para tentar diminuir o novo governo de Pernambuco com o mero objetivo de criar uma imagem de descrédito sobre as duas mulheres que governam.
Até o salário de Raquel Lyra, Procuradora do Estado, que conquistou o cargo por meio de concurso público, tem sido exibido como algo imerecível. Só quem é concurseiro sabe o preço que se paga para conquistar uma vaga. É importante que o julgamento sobre os atos do governo exista, seja rigoroso e a cobrança seja constante, mas nunca que a causa das críticas e insatisfações seja apenas o fato de Pernambuco ser governado por mulheres, aliás, duas mulheres que incomodam muita gente.












