Ismael Alves – O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), ganhou notoriedade na imprensa, ontem, ao emitir uma nota oficial lamentando o fato de não ter sido convidado para compor o governo de Raquel Lyra (PSDB), governadora eleita e prestes a assumir o comando administrativo de Pernambuco.
Miguel é, inegavelmente, um quadro expressivo da nova geração política. Apesar da sua pouca idade, sua bagagem evidencia uma trajetória expressiva e exitosa. Foi deputado estadual, duas vezes prefeito de Petrolina – muito bem avaliado – e disputou o governo de Pernambuco aos 31 anos, somando quase 900 mil votos.
Contudo, mesmo tendo declarado apoio a Raquel Lyra na noite de 02 de outubro, data no qual o jovem postulante recebeu o veredito das urnas em não avançar para o 2° turno, Miguel não deixou de ser um potencial adversário de Raquel em 2026. E, por mais que pareça distante, política é algo que se faz olhando para frente e levando em consideração todas as possibilidades.
Nomear Miguel para qualquer cargo – especialmente no primeiro escalão – seria ter um bom quadro, sem dúvidas, para contribuir com o governo estadual. Contudo, a velha máxima que fala sobre “criar cobra para depois ser mordido” é uma verdade que não deve ser ignorada na política e, pelo visto, Raquel leva isso a sério.
Não dá para dizer que Raquel se acovardou, mas dá para dizer que seu jogo não é nada amador. A lamentação de Miguel faria sentido se ele tivesse feito um gesto de apoio à Raquel ainda no primeiro turno. Nessas circunstâncias, aí sim, desprestigiá-lo seria um ato de covardia ao invés de habilidade que é exigida pelo jogo político.













