Segundo dados do último Datafolha 79% dos eleitores apoiam a democracia.
Até aí tudo bem. Mas como explicar, segundo a mesma pesquisa, que Bolsonaro tenha 45% das intenções de voto?
Quem conhece e se preocupa com os valores da democracia e da liberdade jamais votaria num sujeito antidemocrático (para falar o mínimo) como Bolsonaro, que está promovendo uma enorme escalada autoritária no Brasil.
O que acontece é que as pessoas confundem democracia com eleições. É claro que, se reeleito, Bolsonaro não vai acabar com as eleições. Os regimes autoritários hoje existentes mantêm o populismo dos seus líderes através de eleições regulares (e controladas!), como é o caso da Hungria de Viktor Orbán (referência para Bolsonaro), da Venezuela, da Nicarágua, da Rússia, da Turquia, e de tantos outros.
É o que a ciência política chama de democracia iliberal. Há democracia, através do voto, mas há uma erosão na independência entre os Poderes. O Executivo assume o controle concreto dos demais Poderes e, entre outros pontos, aparelha com força as instituições de Estado; enfraquece os órgãos de fiscalização; cerceia a liberdade de imprensa e as liberdades públicas em geral; restringe direitos; persegue os adversários; valoriza as armas e apoiadores militantes; isola e divide o povo, para enfraquecê-lo.
Esses regimes autoritários corroem tanto a estrutura orgânico-administrativa do Estado e mantêm tão forte o controle social que demoram muito tempo para serem desmoronados.
E os lemas dos autocratas são sempre parecidos: Deus, pátria, família, liberdade…
Falam em nome da liberdade para nos tirar a liberdade.
Tiago Lima Carvalho
Bacharel em Relações internacionais
Especialista em Direito Internacional













