Ismael Alves – Vale tudo para se manter no Poder em Pernambuco. É isso que temos visto no 2° turno das eleições 2022, ocasião na qual Marília Arraes (SD) e Raquel Lyra (PSDB) disputam o Governo do Estado.
Marília, que durante o 1° turno liderou com folga, bateu no PSB até cair as penas da pomba, símbolo da sigla partidária. O racha que ela provocou, resultou na derrota de Danilo Cabral (PSB) no 1° turno, consequência da divisão da esquerda. Ele foi o candidato de Lula no estado. O PT-PE, do próprio Lula, também foi alvo da candidata que, inclusive, se desfiliou do partido e ingressou no Solidariedade, sigla pela qual concorre ao Palácio do Campo das Princesas.
Mas o ‘arranca rabo’ entre Marília, PT-PE e PSB já ficou para trás. Desde o dia 02 de outubro, Marília, o PSB e o PT-PE se tornaram um só projeto. Paulo Câmara (PSB), atual governador, além de boa parte dos nomes que compõem o atual governo estadual, se fundiram à campanha da neta de Arraes, que deixou de ser algoz e se tornou a única esperança do PT-PE e PSB se manterem entranhados no Poder Executivo Estadual.
Do outro lado da ponta, Raquel Lyra é quem ameaça derrubar um império que há 16 anos manda no Estado. Líder de virada e com larga vantagem, ela tem sofrido ‘o pão que o diabo’ amassou na luta contra o reinado socialista em Pernambuco. Diariamente, fake news são espalhadas na tentativa de minar a campanha da ex-prefeita de Caruaru.
O alvo da vez é seu posicionamento para a Presidência da República. Mantendo a mesma postura do 1°turno, Raquel já afirmou que permanecerá neutra na escolha para a Presidência da República, polarizada entre Lula (PL) e Bolsonaro (PL). Ela defende um governo que possa atuar em harmonia com quem quer que seja eleito na disputa presidencial.
A escolha de Raquel tem incomodado os adversários, que apelam para a réplica do cenário nacional em Pernambuco. De hora em hora, informações falsas são lançadas nas redes sociais, tentando atrelar Raquel a Lula ou Bolsonaro. A campanha da tucana tem trabalhado a harmonia entre os eleitorados de direita e esquerda, fator que anula a estratégia da campanha de Marília.
Em uma democracia, cada pessoa tem o direito de escolher o posicionamento que quiser. Assim como Marília escolheu dividir o palanque com Paulo Câmara e o PSB, fazer as pazes com João Campos (PSB) e abraçar o PT-PE, sigla na qual protagonizou desavenças terríveis no período pré-eleitoral, a decisão de Raquel também precisa ser respeitada, afinal, as mesmas pessoas que querem impor um candidato a presidente para Raquel, desrespeitando sua própria escolha, são as mesmas que acusam Bolsonaro de ser uma ameaça à democracia.













